Maternidade · Ser mulher

Se sentir cansada, te leva a se sentir culpada!

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Boa tarde meninas,

Mais cedo, uma mamãe compartilhou comigo um sentimento que eu já conheci muito bem, a sensação latente de culpa por não estar fazendo como eu imaginei que faria antes de virar mãe, uma sensação de cansaço que te esgota só em pensar as coisas que precisa fazer. Depois que ela compartilhou isso comigo, fiquei pensando que precisava compartilhar com vocês palavras que me ajudam quando me sinto assim (porque acredite… se sentir assim é quase normal!).

Não sei quem espalhou esse estigma de que as mães precisam ser perfeitas, educar de forma perfeita, alimentar como a Bela Gil, falar no tom de voz da super Nany, não chorar na frente dos filhos, não gritar, não bater, não demonstrar cansaço, não dar muita liberdade, não dar pouca liberdade… a maternidade não vem com a bula mas parece que não nos cabe o direito de errar porque custará o futuro de nossos filhos.

Tem coisas que fazemos mas, parece que precisamos esconder para que não sejamos taxadas como mães ruins, quer saber um segredo? Lavo as roupas dos meus filhos na máquina (mesmo as do recém nascido), minha filha come biscoito de chocolate, deixo meu bebê chorar um pouco (e ainda digo que faz bem para o pulmão), eu brigo com minha menina quando ela faz malcriação, eu dou um tapinha na mão dela quando ela me desobedece, meu mais novo toma complemento (mesmo tendo 2 meses), não uso bolsa pequena porque nas minhas bolsas precisa caber biscoito, chupeta, escova de dentes, calcinha, fraldas… enfim, faço coisas que se você jogar na internet estão na lista do: NÃO FAZER. Eu (quase) não me sinto culpada por essas decisões.

Quando eu engravidei do Miguel, a Laura estava com pouco mais de 2 anos, eu pensei: as coisas que errei com a Laurinha, vou acertar agora, e os meus acertos vou repetir… foin foin foin… não foi bem assim… cada filho guarda segredos que só descobrimos na hora H. Com isso, logo que o Miguel nasceu eu voltei a me sentir mais que estafada… se já era correia trabalhar, cuidar da casa e da Laurinha, imagine agora. Mas… graças a Deus eu percebi que não preciso ser perfeita, eu só preciso me esforçar.

O desabafo da mamãe que ouvi hoje, realmente é justo. Depois de um dia longo e exaustivo se dividindo entre o trabalho e os filhos, você se sente cansada e sem qualquer pique para brincar, sem ânimo para atividades com as crianças ou o marido. Sua vontade é realmente ligar o dvd, colocar a galinha pintadinha (ou qualquer outra febre do momento) e  deixar eles assistindo enquanto você termina os afazeres da casa sonhando com a hora de se jogar na cama.

O resultado disso é só o aumento do seu cansaço e o afastamento de seus filhos, o final dessa jornada é a dúvida: “Não sei o que estou fazendo de errado”. Talvez, você esteja nesse momento, pensando até em como lidar com seus filhos que se comportam mal, não aprendem nada com os castigos estabelecidos e te fazem se sentir um fracasso. E eu não posso te dizer que deixar esse sentimento de lado é fácil, ou que é tudo psicológico… é bem real, e bem difícil… mas é assim mesmo. Talvez só não o seja com as mamães do comercial de margarina, mas com as reais, sempre será assim.

As vezes  a situação é ainda pior porque a mulher não tem apoio no marido (entenda que para o homem que sai de casa as 7h e retorna as 19h quando o furacão já foi controlado, as coisas não são tão claras). Pode ser ruim também estar longe da sua família (e eu sei bem como é isso). Vários cenários podem te levar a pensar que sua situação é pior que a da maioria.  Mas, como já postei aqui antes, sair da condição que te desagrada depende SÓ de você.

A maternidade é tanto o melhor quanto o mais difícil trabalho que já vivemos. Você vai levar seu corpo à exaustão completa, você vai viver com menos tempo de sono do que achou que seria possível, vai pensar que o reconhecimento por tanto sacrifício não virá jamais, vai aprender que limpar a bagunça é um ciclo infinito. Mas, quando seus filhos te abraçarem desinteressadamente e disserem que te amam, você entenderá que não poderia haver privilégio maior do que viver tudo isso.

Você precisa levantar, quanto mais dá espaço ao cansaço, mais cansada se sentirá (no estado de inércia, seu corpo não produz ENDORFINA é uma substância natural produzida pelo cérebro em resposta à qualquer atividade física, se você não produz endorfina, se sente cansado e desanimado e assim o ciclo permanece te levando até a um estado de depressão). Ou seja, você precisa se mexer mais para se sentir menos cansada…

Se você não sente que conseguirá, que tal fazer uma oração e pedir a Deus pela força que precisa? Lembre-se que é por causa de Jesus que podemos ir diante do trono da graça com confiança para encontrar a ajuda que precisamos (Hebreus 4.16).

Resumindo, tenha calma… você não é a única a se sentir assim, você não tem obrigação de ser a super nany, você pode pedir ajuda, e mesmo que pareça não encontrá-la nas pessoas a sua volta, Deus pode te sustentar até e depois que esse momento passe (PORQUE ACREDITE… ELE VAI PASSAR!).

Para terminar esse post, eu queria dividir com vocês um texto que li recentemente, eu não conheço a autora mas, fiquei muito comovida com o fato relatado e acho que fala tudo sobre esse sentimento que dividimos. Esse texto é de uma mulher chamada Aurea Gil, sobre uma situação vivida por ela. Enquanto lê, lembre-se de não julgar a nenhum personagem da história, a maternidade é um aprendizado constante e as vezes, podemos cometer erros. Ao invés disso, tente aprender com o gesto da Aurea, essa vontade de ajudar uma mãe desesperada deve ser nossa intenção!

”Finzinho da tarde, no ônibus, dois bancos à frente, uma menininha de cabelos cacheados sorri pra mim, muito meiga. Devia ter uns três anos de idade. Ao lado dela, sua mãe cochilava. Quando ela percebia que a mãe fechava os olhos, ela se levantava no banco. Numa dessas, a mãe acordou. Deu um tapa na cabeça dela, falou num grito: “Fica quieta aí e senta!”. Ela chorou um pouquinho, lágrimas escorreram. Meu coração apertou. Tive vontade de fazer algo, mas achei que era muita invasão da vida alheia e fiquei quieta. Dali a algum tempo, a mesma cena: a mãe dorme, a menina, entediada com o trânsito parado, aproveita pra levantar do banco um pouquinho, buscando as vozes de umas crianças que estavam na parte de trás do ônibus. A mãe dessa vez a pegou pelos cabelos com força, deu um puxão que fez a menina cair pra trás, e, como se não bastasse, um “croque” na cabeça. Ao mesmo tempo, a voz dela saiu forte, com raiva. “FICA QUIETA AÍ, JÁ NÃO MANDEI!?”. A menina chorou forte. Enquanto chorava, as lágrimas escorriam e ela fazia um olhar muito, muito triste. Magoada, mesmo. Levantei na hora que a mãe falava “CALA A BOCA, SE VOCÊ NÃO PARAR DE CHORAR VAI APANHAR DE NOVO. QUE MENINA FEIA!”. Quando eu vi já estava ao lado das duas. Abaixei e falei com a menina, que chorava muito. “Não chora não, tá? A mamãe só está cansada, ela quer dormir um pouco e descansar”. Olhei pra mãe, que pareceu envergonhada por eu estar interferindo, falou comigo com voz normal: “Ela fica levantando, tenho medo dela cair e se machucar”. Respondi: “Eu sei, mas ela só estava olhando as crianças lá atrás.”. Ela se dirigiu à menina, com a voz menos irritada. “Tá, agora pára de chorar, vai, já passou”. A menina soluçava, chorava alto. Eu falei com a mãe “Você tá cansada, né? Dá pra ver. Mas sabe, acho que ela só está meio cansada também, igual você”. O olho da mãe encheu de água. “Acordei muito cedo hoje, trabalhei o dia inteiro, to morrendo de dor de cabeça, e agora ela não para quieta”… A menina berrava, lágrimas escorrendo… “Eu imagino…. Tem dias que é complicado mesmo… Mas eu acho que ela só está querendo a sua atenção”, arrisquei. Pra minha surpresa, a mãe pegou a menina no colo e ofereceu o peito pra ela na mesma hora “Quer mamar, filha?”. Apesar do meu histórico de Mamífera, que amamentei até os 4 anos e pouco do meu filhote, me surpreendi pois não é comum ver crianças assim maiorzinhas mamando em público. A menina começou a mamar no peito e parou de chorar na hora. Enquanto mamava fazia carinho no rosto e no cabelo da mãe que, claro, desabou chorando. Apertou os olhos, agora as lágrimas escorriam no rosto dela, que depois começou falar meio baixinho. “Desculpa, filha, desculpa a mamãe, filha, desculpa”, ela falava, enquanto fazia carinho na cabeça da menina, bem no lugar onde ela tinha batido, e dava vários beijos na pequena, que mamava e olhava pra ela. Em uns 5 minutos a menina tinha dormido no peito, mas a mãe não parava de fazer carinho e beijá-la. Quase perdi meu ponto, na hora de levantar ainda olhei pras duas e a mãe me falou baixinho: “Obrigada…” Nem precisa falar que eu comecei a chorar também, e to chorando até agora, né? Tem horas que só o que uma mãe cansada precisa é chorar um pouquinho também.”

#ficaadica
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http://sobresersupermulher.com

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2 comentários em “Se sentir cansada, te leva a se sentir culpada!

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